Coordenação geral: Rosana Denaldi
Coordenação executiva: Leonardo Rodrigues Pitas Piqui
Inicio: 2025
A pesquisa investiga as condições de produção, transformação e habitabilidade das moradias autoconstruídas em favelas da Região Metropolitana de São Paulo, tomando o domicílio como unidade central de análise e privilegiando a escala “da porta para dentro” da moradia, dimensão ainda pouco explorada no campo dos estudos urbanos e da habitação.
Seu objetivo geral é produzir informação qualificada voltada à caracterização da moradia autoproduzida em favelas, articulando dimensões situacionais, produtivas, construtivas, de saúde e climáticas, isto é, busca-se compreender onde, como e por quais meios as moradias são construídas ou adquiridas, seu estado físico atual, bem como seus impactos sobre a saúde dos moradores e sua exposição às mudanças climáticas.
O estudo concentra-se em três territórios representativos de distintos processos de urbanização e consolidação das favelas na metrópole paulistana: Heliópolis e Vila Prudente, no município de São Paulo, e Jardim Marilene, em Diadema. Os territórios foram selecionados por apresentarem diferentes extensões territoriais, níveis de urbanização, formas de relevo e graus de adensamento construtivo, populacional e de verticalização, permitindo análises comparativas sobre as múltiplas formas de produção e apropriação do espaço de moradia em favelas.
Entre os principais eixos investigados estão a qualidade do espaço interno da habitação, a diversidade tipológica das moradias, as inadequações construtivas e manifestações patológicas dos domicílios, bem como fatores relacionados à saúde, ao estresse térmico e à segurança física dos moradores. Também são analisadas as relações entre as características das edificações e as dinâmicas territoriais mais amplas, incluindo os modos de apropriação dos espaços comuns, livres e públicos típicos dos territórios de favela.
A metodologia combina levantamento de campo em larga escala e análise territorial comparativa. A coleta de dados é realizada por meio do método CAPI (Computer-Assisted Personal Interviewing), com questionários digitais programados em tablets e aplicados presencialmente por pesquisadores, em interação face a face com o morador de favela. Os domicílios são selecionados de forma estratificada, considerando diferentes tipos de vias e características do ambiente construído. São utilizados instrumentos para levantamento de informações sociais, arquitetônicas, construtivas, além de medições de temperatura e umidade, possibilitando análises integradas das condições de habitabilidade e saúde ambiental das moradias.
Além de contribuir para o avanço teórico sobre a produção do espaço e as dinâmicas habitacionais em favelas, o projeto busca subsidiar políticas públicas baseadas em evidências, contribuindo para o planejamento urbano, para ações integradas entre habitação e saúde e para a formulação de indicadores voltados à priorização de intervenções públicas em territórios de favela. Pretende-se também produzir conhecimento socialmente referenciado, articulando estratégias de devolutiva e popularização dos resultados junto aos territórios pesquisados.



