CEFAVELA assina termo de cooperação com a União de Moradores e Comércio de Paraisópolis para desenvolver estudos territoriais na comunidade. Ação visa coparticipação dos habitantes e frequentadores da favela na produção do conhecimento e conta com compartilhamento de infraestrutura no local.
O Centro de Estudos da Favela (CEFAVELA-Cepid/Fapesp) celebra nesta quarta-feira, 8 de julho, sua parceria com a União de Moradores e Comércio de Paraisópolis, organização comunitária da maior favela de São Paulo, situada na zona sul da cidade. A assinatura do termo de cooperação será realizada às 14h, na sede da União. Também serão feitas as apresentações do espaço físico que o CEFAVELA compartilhará no local para desenvolvimento de suas atividades no território, e da MetaFavela, plataforma que organiza, sistematiza e disponibiliza metadados, uma espécie de catálogo digital que traz informações detalhadas sobre bases de dados geoespaciais produzidas pelo próprio CEFAVELA e por terceiros sobre favelas.
O termo de cooperação técnica tem vigência inicial de quatro anos e prevê a realização de atividades relacionadas não só com as pesquisas, mas também de extensão universitária, formação e capacitação, inclusive de jovens pesquisadores da comunidade, realização de oficinas e encontros que envolvam cientistas do Centro e integrantes da favela. Para desenvolvimento dessas ações, foi destinado um espaço físico compartilhado, situado na sede da União dos Moradores, o que permitirá estreitar a convivência de pesquisadores e pesquisadoras com a comunidade local, reforçar a coprodução de conhecimento e ser base para atuação do CEFAVELA no território. O termo não implica transferência direta de recursos.
“Entre as diversas favelas que existem em São Paulo, avançamos nesta parceria com Paraisópolis porque sabemos que é um território muito relevante para entender as dinâmicas contemporâneas nas favelas”, explica Beatriz Mioto, coordenadora executiva do projeto de pesquisa “Mercado imobiliário em favelas consolidadas nas áreas metropolitanas”, que integra a Linha 2 de pesquisas do CEFAVELA “Dinâmicas e Transformações Socioespaciais, Econômicas e Ambientais nas Favelas”, coordenada por Jeroen Klink, diretor do CEFAVELA. “O foco inicial dessa parceria está nos estudos e coprodução de conhecimento sobre o mercado imobiliário nas favelas porque notamos que é uma uma questão pouco explorada, do ponto de vista científico, e que aparece com grande impacto para as comunidades”, completa ela.
Cláudio Fernandes, presidente da União de Moradores e Comércio de Paraisópolis, manifestou grande satisfação com o acordo. Ele diz esperar que os resultados das pesquisas a serem conduzidas no âmbito dessa cooperação tragam benefícios para todos, a partir dos avanços no conhecimento sobre questões fundamentais para o cotidiano de seus habitantes e frequentadores. “Paraisópolis já precisava deste trabalho há décadas. A comunidade vai começar com um novo ponto, real, que é realizar uma pesquisa que já deu certo”, afirma ele.
Beatriz participou da construção da parceria com Paraisópolis desde o início das conversas. “Ela foi viabilizada a partir do contato direto do CEFAVELA com as lideranças e do entendimento de que essa é uma parceria que pode dar muitos frutos, tanto do ponto de vista científico e acadêmico quanto do ponto de vista das possibilidades de produção local de conhecimento que traga melhoria nas condições de vida das pessoas, com impacto no desenho e implementação de novas políticas públicas ou acompanhamento do que já existe para os territórios de favelas”, acrescenta.
Segundo ela, a disponibilidade de um espaço do CEFAVELA na comunidade vai ajudar a dar visibilidade ao trabalho do Centro, ao mesmo tempo em que coloca à disposição da comunidade a produção de informações “sobre a favela, na favela e pela favela”. A própria favela já tem um mapeamento de seus problemas, suas demandas e o CEFAVELA poderá ajudar a organizar esses dados e torná-los públicos e acessíveis para um público mais amplo. “A produção científica precisa desse diálogo, precisa não só fazer aportes para interpretar os problemas, mas ouvir também as pessoas que vivenciam cotidianamente esses problemas”, destaca.
Além disso, tem um aspecto pragmático da execução das pesquisas. “Também é importante para a gente viabilizar essas pesquisas, pois falamos de um território que contém uma série de disputas, eventualmente alguns conflitos que pedem mediação para para a gente poder estar lá. Precisa pedir licença, ser convidado para entrar na casa das pessoas, então estamos construindo uma relação de confiança que vai nos ajudar a ter um olhar diferenciado, qualificado sobre os problemas já que suas perspectivas e práticas também serão consideradas”, finaliza.

Paraisópolis na MetaFavela
Na plataforma MetaFavela é possível encontrar dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre Paraisópolis. A população é de 58.527 pessoas, que habitam um total de 22.861 domicílios. A maioria é parda (55,52%), alfabetizada (92,06%), e a mediana de idade é de 28 anos (metade dos moradores tem até 28 anos e a outra metade é mais velha). Acesse aqui outros dados sobre Paraisópolis na MetaFavela.
SERVIÇO:
Assinatura do Termo de Cooperação entre CEFAVELA e União de Moradores e Comércio de Paraisópolis
Data: 8 de de julho de 2026
Horário: 14h
Local: Sede da União de Moradores e Comércio de Paraisópolis
Endereço: Rua Ernest Renan, 1366 – Vila Andrade, São Paulo – SP, 05659-020.
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Sobre o CEFAVELA
Com sede na Universidade Federal do ABC (UFABC), o CEFAVELA é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e comprometido com o desenvolvimento de pesquisas, formação de recursos humanos, transferência de tecnologia e difusão de conhecimento para a sociedade sobre as favelas, em articulação com diversas instituições, movimentos e organizações sediadas e comprometidas com a agenda territorial das favelas. O CEFAVELA busca, por meio de uma abordagem interdisciplinar e multiescalar, gerar, articular e disseminar conhecimentos para ampliar a compreensão das dinâmicas territoriais das favelas e as formas de reprodução de desigualdades espaciais, bem como dos limites e potenciais de programas e políticas de melhoria desses territórios no contexto urbano contemporâneo.
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