Seminário interno do CEFAVELA apresenta avanços e discute próximos passos para 2026

Coordenadores, pesquisadores e equipe técnica se reuniram no campus da UFABC em São Bernardo do Campo para apresentar o andamento das pesquisas e atividades de extensão.

O Centro de Estudos da Favela (CEFAVELA-Cepid/Fapesp) reuniu seus pesquisadores e equipe técnica e administrativa em seu primeiro seminário interno para apresentar o andamento de todos os projetos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos no momento e discutir os próximos passos, especialmente as possibilidades de alinhamento entre os diversos projetos para que haja uma interação e trabalho conjunto entre os pesquisadores e suas equipes. Realizado no campus de São Bernardo do Campo da Universidade Federal do ABC (UFABC), o evento contou com a presença de cerca de 70 pessoas ligadas ao Centro.

Na abertura, Jeroen Klink, diretor do CEFAVELA, falou sobre a trajetória para implementação do Cepid, as missões do CEFAVELA, a rede de pesquisa e de parceria constituída, e destacou os projetos a curto prazo. “Queremos articular o conhecimento com a transformação da práxis das cidades brasileiras no que tange aos territórios das favelas. Outro ponto que nos caracteriza é fazer a produção coletiva do conhecimento, mobilizando as redes em torno de grandes temáticas, e incluindo a população das favelas como atores, e não apenas foco das nossas pesquisas”, destacou ele.

Klink elencou algumas das conquistas do Centro ao longo do último ano: formação de uma equipe altamente qualificada; aumento da visibilidade do CEFAVELA na imprensa e redes sociais; a estruturação e início dos primeiros projetos de pesquisa; ações de inovação e difusão com resultados já entregues, como os Plano Comunitário de Redução de Riscos de Adaptação Climática (PCRAs) da Vila Joaninha, em Diadema; a realização de cursos de capacitação para gestores de política pública e integrantes de organizações que atuam em favelas; parcerias com o Ministério das Cidades, via Secretaria Nacional de Periferias, e o Movimento de Defesa das Favelas (MDF), incluindo a produção de um documentário e o lançamento das Notas de Pesquisa.

Ele também apresentou alguns dos desafios com os quais o Centro terá de lidar: a produção de artigos em periódicos indexados nacionais e internacionais; acelerar a produção das pesquisas; consolidar as Notas de Pesquisa, por meio da manutenção de periodicidade; dar um salto na internacionalização do CEFAVELA, com publicações e participação em eventos no exterior, ampliação das redes de contato com pessoas e entidades acadêmicas ou não em outros países, e articulação entre pesquisadores e entidades que produzem conhecimento ou executem ações relacionadas à urbanização em favelas no Brasil e nos demais países da América Latina com os de outros continentes. 

A seguir, Camila Saraiva, coordenadora de projetos internacionais do CEFAVELA, apresentou o plano estratégico de internacionalização do Centro, que está em construção. “São ideias preliminares, que precisamos discutir e aprofundar em reuniões futuras com os coordenadores das linhas de pesquisa e com a diretoria do CEFAVELA”, esclareceu. 

Rosana Denaldi, vice-diretora do CEFAVELA, explicou aos presentes a estrutura administrativa e de gestão de recursos financeiros. Em seguida, a equipe de Comunicação apresentou as linhas gerais para atuação junto à imprensa e nas redes sociais. Leonardo Pequi, pesquisador do CEFAVELA, detalhou os resultados de uma pesquisa interna do Centro, em que mapeou o perfil dos cientistas que o compõem. Denaldi e André Pasti, pesquisador que integra a Coordenação Executiva do CEFAVELA, fizeram um apanhado geral sobre as atividades de extensão já realizadas. 

Dois exemplos de projetos de extensão foram apresentados com mais detalhes: Luciana Ferrara, pesquisadora do CEFAVELA, falou sobre o projeto desenvolvido na Vila Joaninha, e Pequi contou sobre o projeto “Práticas metodológicas para a recuperação, sistematização e disseminação da memória relacionada às ações de urbanização de favelas junto ao MDF”, que está em andamento, mas já resultou no documentário “Quais histórias de urbanização contadas pelas nossas favelas?”, dirigido por Elton Santos, pesquisador do CEFAVELA.

Confira mais fotos no álbum do CEFAVELA na plataforma Flickr.

O andamento dos projetos por linha de pesquisa

Na parte da tarde, foram apresentados os projetos por linha de pesquisa. Na Linha 1, “Análise de Dados Espaciais e Modelagem para Favelas”, foram destacados os projetos BDC-Favelas, META Favela, Revelando Favelas e ESTIMA-Favelas, todos em andamento. Um novo projeto está previsto para essa linha, de Caracterização de Favelas. 

A Linha 2, “Dinâmicas e transformações socioespaciais, econômicas e ambientais nas favelas”, traz os projetos “Mercado imobiliário em favelas consolidadas nas áreas metropolitanas” e “Autoprodução do espaço de moradia nos territórios de favela”. Está previsto também o início do projeto “Redes técnicas e digitalização do território nas favelas”. 

Já na Linha 3, “Capacidades estatais, limites e potencialidades das intervenções em favelas”, foram apresentados os projetos “Políticas públicas para gestão de riscos e enfrentamento das mudanças climáticas” e “Infraestrutura e dimensão ambiental dos projetos de urbanização”. Outros dois estão previstos: “Programas e projetos de urbanização de favelas: possibilidades, limitações e impasses (avaliação do PAC-Periferia)” e “Participação Social no PAC-Periferia Viva”. Ambos dependem do andamento do próprio PAC-Periferia para terem andamento. 

No encerramento, foram dados informes sobre outros projetos individuais que se relacionam com as pesquisas do CEFAVELA e foi aberta a palavra aos participantes para discutir as relações entre os projetos de pesquisa, apontando perspectivas de continuidade do trabalho para os próximos anos. O primeiro seminário foi bem avaliado pelos participantes e a proposta é que seja realizado anualmente. Entre as sugestões estão o alinhamento em relação a pesquisas de campo, nos quais um mesmo grupo populacional e território podem ser abordados por mais de um projeto. Também foi sugerido compor o cubo de dados para territórios onde já se fez os Planos Comunitários de Redução de Riscos de Adaptação Climática, entre outras ideias surgidas na discussão final.

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Sobre o CEFAVELA
Com sede na Universidade Federal do ABC (UFABC), o CEFAVELA é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e comprometido com o desenvolvimento de pesquisas, formação de recursos humanos, transferência de tecnologia e difusão de conhecimento para a sociedade sobre as favelas, em articulação com diversas instituições, movimentos e organizações sediadas e comprometidas com a agenda territorial das favelas. O CEFAVELA busca, por meio de uma abordagem interdisciplinar e multiescalar, gerar, articular e disseminar conhecimentos para ampliar a compreensão das dinâmicas territoriais das favelas e as formas de reprodução de desigualdades espaciais, bem como dos limites e potenciais de programas e políticas de melhoria desses territórios no contexto urbano contemporâneo.
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